segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

INTRÍNSECO

Não sei onde vou parar
Com essa tentativa absurda de exprimir
Sentimentos entulhados em um canto qualquer

Precisaria me desfazer
Da imundície que enegrece o meu ser
Que faz verter lágrimas secas
E expelir palavras vazias

Está intrínseco o sentimento de falha
Da imperfeição que me caracteriza
E causa ojeriza a quem chega bem perto

Perco tempo nesse momento
Mirabolando algumas desculpas
Para justificar o fato de ser assim

ESCOLHA?

Eu escolhi a ilusão
Acreditar em uma verdade camuflada
Viver a metáfora da existência
Como se tudo fizesse algum sentido

SOBRE O USO E ATRIBUIÇÕES DAS PALAVRAS

Palavras são só palavras
São arbitrárias
Nos induzem ao erro de pensar
Que o mundo pode ser belo
E que um sentimento pode ser verdadeiro

Mas sem palavras não haveria existência
O pensamento seria disperso
O mundo não seria mundo
O verso não seria verso

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Pseudônimo


Há tanto que eu poderia dizer
Mas me escondo e prefiro não mostrar
Crio faces pra tentar me proteger
Vivo no meu mundo particular

Ninguém se importa com o que eu possa ser
Ninguém chega perto pra perguntar
Hoje em dia é mais fácil parecer
Ninguém tem tempo pra parar e enxergar

Há tanto que eu poderia dizer
Mas fecho a boca e prefiro me calar

Deriva Urbana

Você olha, mas não vê
O olhar é enganoso
Você acredita que está lúcido
Mas as retinas estão cansadas
O que há por trás daquela cortina de fumaça
Que encobre a cidade?

Há muito para ser visto
Mas estamos cegos
A rotina nos vendou
E nos vedemos para marcas
Somos rótulos e rotulados
E nada mais tem graça

Somos errantes
Errando o caminho
De propósito
Com um propósito
Sabemos o início
E o fim da jornada
Mas não sabemos de mais nada

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Poeira de Estrelas

Eu e você
Deitados na grama
Sorrindo olhares
Enrolados na trama

O céu é plano de fundo
Papel de parede estrelado
Somos a fusão entre dois mundos
Que giram à deriva no espaço

Nossos corpos fora de órbita
Flutuam sem sair do lugar
Viajamos entre as estrelas
Que um dia ousamos contar
De perto eu posso vê-las
Cadentes no teu olhar

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O Poeta Emudeceu

Os versos tortuosos
Perderam-se em pensamentos
E as palavras sem materialidade
Sucumbiram ao vazio
A tinta na pena era sangue que jorrava
Da alma perdida de um corpo doentio

O tempo criou cicatrizes
Cerrando as feridas
De um corpo sem matéria
Que nem as palavras de agora
Não se ouvem mais os lamentos de outrora
Da pena não sai uma gota de sangue sequer

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Pra Fora

O verso vagava errante
Seu destino era incerto
Confundia-se ente outros pensamentos
Fúteis e sem importância

Era preciso distingui-lo
Abrir-lhe caminho
Mostra-lhe a luz
Dar-lhe a vida
Fora de mim

Aqui Jaz um Poeta


A inspiração se foi
Repousa no caixão
E o que direi a ela?
Joguem terra!
E acendam velas

Cecília

Cecília foi a razão de eu ter mudado repentinamente o meu pensamento sobre aquela cidadezinha. Era tão linda e parecia ter me encantado de uma forma que não recordo nem meia dúzia das palavras que ela deve ter dito no caminho até a pensão. Apenas ficava observando o seu jeito, a forma como seus lábios mexiam enquanto ela falava. Pareciam hipnóticos. Seu sorriso era doce, seus trejeitos delicados, mas devia ser uma mulher de personalidade forte. Fisicamente era mais que perfeita: estatura mediana, cabelos ruivos, um pouco encaracolados, olhos claros, pele clara e formas sensuais. Seu decote era um aperitivo pra mim. Eram seios fartos. Mal ela poderia imaginar os pensamentos sórdidos que povoavam a minha cabeça. Eu a desejava como um predador faminto deseja a sua presa.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A Moça e o Nome

Sempre achei linda aquela moça. A mais de linda de todas as moças da minha rua. Não sabia seu nome, não sabia muito a seu respeito, só sabia admirá-la cada vez que eu a via passar por mim.
Eu perguntava a mim mesmo se havia me apaixonado por uma desconhecida, ou se havia sido enfeitiçado por aqueles profundos olhos castanhos. Essa era uma hipótese plausível, mas nunca me convenci de que algo tão sobrenatural pudesse ser a origem de tamanha admiração.
Às vezes, acreditava estar sofrendo por algum tipo de distúrbio psicótico, pois não era algo normal aquilo que eu sentia. Não era normal ficar olhando aquela moça e apenas isso, como se isso bastasse para satisfazer meu desejo.
Certo dia, pensei em fazer algo diferente de apenas olhá-la. Decidi que aquela linda moça merecia um nome que combinasse com sua beleza singular. Ao invés de pesquisar ou de perguntar a ela a sua graça, tive a ideia de dar eu mesmo um nome, mas não um nome qualquer, um que eu mesmo tivesse inventado, um que nunca tivesse sido pronunciado.
E assim o fiz.
Sei que a curiosidade tua deve ser grande em saber o nome que inventei, mas que graça teria eu dizer se não fosse algo que eu quisesse guardar apenas pra mim? Já te disse muito a respeito e me reservo no direito de ter alguns segredos.
Numa sexta-feira qualquer, num final de tarde, ouvi pela primeira vez o verdadeiro nome dela. Ela estava passando em frente a minha casa quando, de repente, um rapaz grita em sua direção:
- Maria!
Nesse momento, o mistério chega ao fim e um sentimento de decepção toma conta de mim. E isso não foi pelo fato de descobrir, enquanto ouvia os dois conversando, de que eles eram amantes de longa data. Aliás, já havia dito que não era paixão ou algo similar o que eu sentia. Na verdade, ainda não sei bem dizer o que era.
A minha angústia era saber que ela se chamava Maria. Parece loucura isso? Talvez seja mesmo.
Quando vi Maria passando no outro dia pela rua, não a achava tão linda como antes. Havia me convencido de que era outra pessoa e que aquela linda moça, a qual eu mesmo dei um nome, havia se mudado para outro lugar.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Pobre Rima

Era um rima de vida fácil
Rimava com todo mundo
Nas esquinas de quartetos
De uma quadra
Não de sonetos
Rimava amor com dor
E achava que era feliz

"Pobre rima!"
Pobre de quem te quis
Qualquer um diz

Cor Lapideum

No meio do coração tinha uma pedra
A pedra era o próprio coração
As artérias estavam entupidas
De sedimentos
De sentimentos
Atire a minha pedra
Quem nunca sofreu por amor

O meu coração é de pedra
O que sangra é concreto
E não corre
Aos poucos morre