segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Crise Existencial

Nada faz sentido
Quando se busca o sentido de tudo
Há sempre algo mais profundo
E novos caminhos para se perder

Se dou um passo
Paraliso e fico mudo
Como é vasto o mundo
E como ínfimo é o meu ser

Olho para cima
Buscando a rima
Que entoe a melodia
Do meu anoitecer

Quem sabe nesse dia
Tudo seja esclarecido
E tudo que não faz sentido
Finalmente passe a fazer

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

INTRÍNSECO

Não sei onde vou parar
Com essa tentativa absurda de exprimir
Sentimentos entulhados em um canto qualquer

Precisaria me desfazer
Da imundície que enegrece o meu ser
Que faz verter lágrimas secas
E expelir palavras vazias

Está intrínseco o sentimento de falha
Da imperfeição que me caracteriza
E causa ojeriza a quem chega bem perto

Perco tempo nesse momento
Mirabolando algumas desculpas
Para justificar o fato de ser assim

ESCOLHA?

Eu escolhi a ilusão
Acreditar em uma verdade camuflada
Viver a metáfora da existência
Como se tudo fizesse algum sentido

SOBRE O USO E ATRIBUIÇÕES DAS PALAVRAS

Palavras são só palavras
São arbitrárias
Nos induzem ao erro de pensar
Que o mundo pode ser belo
E que um sentimento pode ser verdadeiro

Mas sem palavras não haveria existência
O pensamento seria disperso
O mundo não seria mundo
O verso não seria verso

POEMA ÓRFÃO

O poema nasceu órfão
Abandonado na folha de papel
Papel branco e monótono
Onde tudo era vazio

E o poema era mudo
Porque não o ensinaram a falar
Mas em sua métrica desregrada
Mesmo que não dissesse nada
Era incompreendido

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Pseudônimo


Há tanto que eu poderia dizer
Mas me escondo e prefiro não mostrar
Crio faces pra tentar me proteger
Vivo no meu mundo particular

Ninguém se importa com o que eu possa ser
Ninguém chega perto pra perguntar
Hoje em dia é mais fácil parecer
Ninguém tem tempo pra parar e enxergar

Há tanto que eu poderia dizer
Mas fecho a boca e prefiro me calar

Deriva Urbana

Você olha, mas não vê
O olhar é enganoso
Você acredita que está lúcido
Mas as retinas estão cansadas
O que há por trás daquela cortina de fumaça
Que encobre a cidade?

Há muito para ser visto
Mas estamos cegos
A rotina nos vendou
E nos vedemos para marcas
Somos rótulos e rotulados
E nada mais tem graça

Somos errantes
Errando o caminho
De propósito
Com um propósito
Sabemos o início
E o fim da jornada
Mas não sabemos de mais nada

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Poeira de Estrelas

Eu e você
Deitados na grama
Sorrindo olhares
Enrolados na trama

O céu é plano de fundo
Papel de parede estrelado
Somos a fusão entre dois mundos
Que giram à deriva no espaço

Nossos corpos fora de órbita
Flutuam sem sair do lugar
Viajamos entre as estrelas
Que um dia ousamos contar
De perto eu posso vê-las
Cadentes no teu olhar